O Legado de Biden para a Energia

O legado energético do presidente Biden, marcado por políticas de incentivo à energia limpa e à redução das emissões, pode ter um impacto duradouro. Contudo, sua continuidade depende de quem o suceder na presidência, sendo a vice-presidente Kamala Harris ou Donald Trump os principais candidatos.

Não é segredo que a indústria de petróleo e gás dos EUA prefere um republicano na Casa Branca a um democrata. À medida que o mandato do presidente Joe Biden se aproxima do fim, seu período em Washington pode ser um dos mais significativos em matéria de energia. Contudo, seu legado dependerá crucialmente de quem o suceder: a vice-presidente Kamala Harris ou Donald Trump.


Comparações Históricas: Democratas versus Republicanos

Nos anos 1970, o senador democrata da Louisiana, Bennett Johnston, afirmou sobre a indústria do petróleo: “Tivemos contagens maiores de sondas de perfuração, mais dólares sendo gastos, mais atividade, mais lucros sendo feitos ao setor do petróleo como nunca. Mas eles gostam do [presidente Jimmy] Carter? Ah, não, eles [a indústria do setor] o odeiam por causa de sua retórica.

A história confirma essa percepção. Desde a ascensão da OPEP, os preços do petróleo ajustados pela inflação têm sido, em média, US$ 63 por barril sob presidentes republicanos e US$ 84 por barril sob democratas. Em outras palavras, o preço do petróleo aumentou muito mais quando um democrata esteve no Salão Oval do que quando um republicano estava no comando.


O Impacto das Políticas de Longo Prazo

Em todos os mandatos de presidentes republicanos, desde Richard Nixon, houve uma queda na produção de petróleo dos EUA, exceto durante o mandato de Donald Trump. Por outro lado, com uma exceção, Bill Clinton, todos os presidentes democratas naquele período viram a produção aumentar. Barack Obama não era popular no Texas, mas a revolução do xisto ajudou a produção dos EUA a crescer notáveis ​​82% durante seu mandato, enquanto ela havia caído 12% sob seu antecessor texano, George W. Bush.

É evidente que não devemos atribuir totalmente esses números ao presidente em exercício. A produção e os preços de petróleo e gás respondem mais a tendências da indústria, economia e geopolítica do que às ações diretas de quem está temporariamente ocupando a Casa Branca.

Mais importantes são as políticas de longo prazo, que podem dar frutos apenas anos ou mesmo décadas após um presidente deixar o cargo. Neste ponto, Biden tem o potencial de deixar um impacto enorme, baseado em três peças legislativas fundamentais: o Infrastructure Investment and Jobs Act, o Chips and Science Act e o Inflation Reduction Act (IRA).

Essas medidas fornecem trilhões de dólares em financiamento e incentivos para uma ampla gama de pesquisas, tecnologias e investimentos em energia limpa, incluindo energia solar e eólica, eficiência energética, armazenamento de energia, hidrogênio, captura e armazenamento de carbono, veículos elétricos, energia nuclear avançada, novos minerais críticos para energia, e adaptação às mudanças climáticas.


A Influência das Energias Renováveis no Legado de Biden

É crucial destacar que muitos desses incentivos se concentram não apenas na implementação e desenvolvimento dessas tecnologias, mas também em garantir que elas sejam fabricadas nos Estados Unidos. Democratas e republicanos concordam sobre o perigo de depender da China em questões críticas, como a energia.

Muitos dos novos investimentos relacionados às medidas de Biden estão em estados mais conservadores. Ohio, por exemplo, onde o aspirante a vice-presidente JD Vance está situado, conseguiu trazer para o seu território a maior fábrica de painéis solares dos EUA, que começou a operar em fevereiro. Até o momento, não há razões para crer que a maioria desses projetos não sobreviverá a uma mudança no controle da Casa Branca ou do Congresso. A indústria petrolífera dos EUA pode não levar as mudanças climáticas a sério, mas acolhe com satisfação o dinheiro do governo para construir projetos de captura de carbono e hidrogênio. Por outro lado, medidas como isenções fiscais para veículos elétricos parecem estar na mira de Trump.

Algumas decisões do governo Biden parecem ter incomodado a indústria petrolífera, mas sem grandes efeitos práticos. A pausa nas aprovações de novas exportações de GNL foi inspirada, em parte, por estudos enganosos que exageram seu impacto nos gases de efeito estufa. Esta é também uma mensagem ambígua para a Rússia, sugerindo certa relutância dos EUA em apoiar seus aliados que buscam eliminar a dependência de Moscou.

Entretanto, essa pausa não representa um grande obstáculo para a indústria energética. Muitos projetos de GNL já estão em andamento no Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã, Moçambique, entre outros. Uma parada nos novos projetos dos EUA provavelmente ajuda a indústria a evitar danos auto infligidos devido à competição feroz.

Outras decisões de Biden que, em teoria, vão contra os interesses do setor de petróleo e gás incluem as pausas no arrendamento de novas áreas de exploração, como na Reserva Nacional de Petróleo do Alasca, aumentos modestos nas taxas de royalties e o endurecimento das regras sobre vazamento de metano. No entanto, tais medidas não impediram o aumento da produção de hidrocarbonetos.

Alguns aspectos do legado energético e climático do presidente Biden devem sobreviver à sua presidência, independentemente de quem o suceder. Contudo, o impacto total dos investimentos maciços que ele legislou só será sentido se forem mantidos. Muitas das sementes tecnológicas plantadas hoje florescerão nas próximas décadas, assim como as décadas de 1970 deram origem às indústrias eólica e solar de hoje, e a década de 1980 impulsionou o setor moderno de petróleo e gás de xisto.

Não há dúvidas de que as energias renováveis continuarão crescendo, independentemente de quem ocupar a Casa Branca. Como já discutimos anteriormente, a energia solar teve um boom durante os anos de Trump no poder, apesar de sua retirada do Acordo de Paris em 2015, uma decisão que impactou significativamente a postura dos EUA em relação às mudanças climáticas. Biden, assim como Obama, leva essa questão muito a sério e, por isso, fez os EUA voltarem ao Acordo, do qual Trump havia se retirado. Harris, ao que tudo indica, manterá esse legado, como detalhado em nosso artigo sobre Trump e a Energia Solar.

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