Porque o consumo de energia do mundo vem crescendo?
O consumo de energia global cresce de maneira desigual, impulsionado por aumento populacional e inovação tecnológica. Entenda por que a demanda por energia continua crescendo e como as reservas de combustíveis fósseis podem influenciar o futuro energético.
Desde a Revolução Industrial, com a criação dos motores a vapor, a velocidade com que a humanidade consome energia aumenta exponencialmente. De acordo com José Goldemberg, o consumo de energia global cresce em média 2,2% ao ano, o que significa que ele dobra a cada 30 anos. No entanto, esse consumo não ocorre de maneira homogênea.
Além da irregularidade em relação às fontes – enquanto as energias renováveis crescem a uma taxa de 6,6% ao ano, o carvão cresce a apenas 1,8% – há também diferenças entre países. Nos países desenvolvidos, o consumo energético aumenta 1,4% ao ano, enquanto nas nações em desenvolvimento, esse aumento chega a 3,2%.
Crescimento populacional e aumento do consumo per capita
Mas por que a humanidade consome cada vez mais energia? Existem dois motivos principais. O primeiro é o crescimento populacional. Entre 1850 e 1990, enquanto a população mundial cresceu 1,1% ao ano, o consumo energético subiu 2,2%. Quanto mais pessoas, mais energia é demandada. No entanto, esse crescimento não é linear. Há também um aumento significativo do consumo per capita – e esse é o segundo motivo.
O desenvolvimento tecnológico é o principal responsável por esse aumento no consumo per capita de energia. Um exemplo interessante é o do gelo. Antes da invenção das geladeiras domésticas, na década de 1910, era quase impossível tomar uma bebida gelada em grande parte do Brasil. O gelo precisava ser trazido da Antártida para o porto do Rio de Janeiro, tornando o produto acessível apenas aos mais ricos. Hoje, qualquer restaurante serve gelo sem cobrar por ele.
A Revolução Industrial trouxe máquinas que demandam muita energia. Se no passado a agricultura era feita com arado, hoje utilizamos tratores. Se antes as pessoas se informavam por jornais, hoje fazem isso via smartphones. E à medida que as rendas aumentam, as pessoas compram produtos que consomem energia, como televisores e automóveis. Quanto maior a renda per capita, maior tende a ser o consumo energético. Desde 1820, a renda per capita global aumentou 10 vezes, enquanto em regiões como a Europa Ocidental, esse crescimento chegou a 20 vezes, como destacado em um relatório da OCDE.
O futuro da demanda energética
As previsões mostram que tanto a população humana quanto a renda per capita global continuarão crescendo, o que representa boas perspectivas para o setor energético. Segundo estudos, a demanda global por eletricidade deve aumentar fortemente nos próximos anos. No entanto, a grande questão é quais fontes de energia serão utilizadas para suprir essa demanda crescente.
Embora ainda seja cedo para previsões concretas, tudo indica que o futuro será mais verde. Um dos motivos é a escassez das reservas globais de combustíveis fósseis. As reservas conhecidas de petróleo, por exemplo, somam 1,6 trilhão de barris. Ao ritmo atual de consumo – 97 milhões de barris por dia –, essas reservas devem durar aproximadamente 47 anos, conforme relatado em estimativas da World Oil Reserves. O mesmo acontece com o gás natural, cujas reservas podem durar 52 anos segundo o World Gas Reserves.
Além disso, novas reservas são descobertas com frequência, mas não em velocidade suficiente para compensar o consumo. Entre 1980 e 2007, apenas 82% da produção de petróleo foi reabastecida por descobertas de novas reservas.
Outra questão importante é o difícil acesso às novas jazidas. Um exemplo disso é a Rússia, que dependia do Azerbaijão para petróleo até a Segunda Guerra Mundial. Hoje, a extração é feita em locais como a Sibéria Ocidental e o Oceano Ártico. O Brasil segue a mesma tendência: 80% da nossa extração de petróleo vem do pré-sal, o que aumenta significativamente o custo de exploração.
Por fim, há a segurança energética. Mais de 3 bilhões de pessoas vivem em países que importam mais de 75% dos derivados de petróleo, e 1,7 bilhão de pessoas habitam países com reservas fósseis limitadas, que devem durar menos de 20 anos. A dependência de exportadores geopolíticos complicados, como Irã, Rússia e Venezuela, torna-se um desafio global. É difícil imaginar um futuro em que líderes mundiais continuem a depender de figuras como Putin ou Maduro para atender suas necessidades energéticas.
Portanto, por esses três fatores – a escassez das reservas, o difícil acesso a novas descobertas e a segurança energética –, o futuro da energia será, com grande probabilidade, descarbonizado.
Acesso à Energia Renovável em Casa
Através da geração distribuída, muitos brasileiros podem obter descontos na conta de luz utilizando energia solar, contribuindo para um ambiente mais limpo. Deseja saber como? Entre em contato conosco pelo WhatsApp.