Combustiveis Fosseis representaram 82% do Mix Energetico Global em 2023
De acordo com o último relatório do Instituto de Energia, a humanidade consumiu 1,5% a mais de combustíveis fósseis no ano passado do que em 2022, com o carvão, o petróleo e o gás natural representando cerca de 82% da matriz energética global. Este número representa não somente a energia utilizada para a produção de eletricidade, mas também os combustíveis utilizados para cozinhar, movimentar carros, navios e etc. Confira mais detalhes no relatório do Instituto de Energia.
Um terço e um quarto do consumo mundial de energia vieram do petróleo e do carvão. Tal demanda atingiu uma máxima histórica no ano passado, aumentando de 2% em relação a 2022. O consumo recorde foi impulsionado por um aumento na procura por energia principalmente no Sul Global, onde a demanda por energia cresce o dobro da média global.
Impacto no Meio Ambiente e nas Emissões de CO2
Mas este não é o único recorde energético quebrado no ano passado – que por sinal foi o ano mais quente da história. De acordo com a 73ª edição anual da Revisão Estatística da Energia Mundial divulgada na semana passada, o aumento no consumo de combustíveis fósseis – carvão em particular – levou a emissões de 40 gigatoneladas de CO2. Este é o nível mais alto já registrado. Saiba mais no artigo da Earth sobre o ano mais quente da história.
Para a Agência Internacional de Energia (AIE), o responsável parcial por esse aumento foi a seca, que causou uma redução na produção de energia hidrelétrica. Sem isso, a AIE estima que as emissões globais provavelmente teriam diminuído no ano passado.
O carvão, o combustível fóssil mais barato e mais sujo, é a maior fonte de emissões de CO2. Ele sozinho é responsável por mais de 0,3ºC do aumento de 1,2ºC nas temperaturas médias globais desde a Revolução Industrial. Além disso, ele é também um dos principais contribuintes para a poluição atmosférica. Atualmente, os principais consumidores do mineral são a China, que queima mais carvão do que o resto do mundo junto, e a Índia, que consome mais carvão do que a Europa e a América do Norte juntas.
Apesar da tendência global de alta, nem todos os países aumentaram a produção e/ou seu consumo de combustíveis fósseis. Na Europa, os combustíveis fósseis caíram abaixo dos 70% pela primeira vez, enquanto nos EUA – que continua a ser o terceiro maior consumidor mundial de carvão – o consumo do modal caiu para metade na última década. Estas mudanças também levaram a uma diminuição significativa das emissões de CO2 em ambas as regiões: 6,6% na UE e 2,7% nos EUA. Em ambos locais há um franco crescimento das energias renováveis, em especial o modal fotovoltaico.
Apesar de ser uma super poluidora, a China também está em busca de limpar sua matriz energética. O país foi responsável por 55% de todas as adições de energia renovável em 2023, mais do que o resto do mundo combinado. Vale ressaltar, porém, que a energia limpa representou apenas 15% da matriz energética global em 2023 – um recorde, mas longe do necessário para conter o aquecimento global. A energia solar e eólica foram 8% do total.
Caminho para a Transição Energética
Em declarações ao Financial Times, o presidente do Instituto de Energia, Nick Wayth, disse que o mundo ainda tem um longo caminho a percorrer até que as energias renováveis dominem o mix energético. “A energia limpa ainda não está sequer satisfazendo a totalidade do crescimento da demanda”, disse ele. “Indiscutivelmente, a transição energética nem sequer começou.”
“Num ano em que vimos a contribuição das energias renováveis atingir um novo recorde, a crescente procura global de energia significou que a quota proveniente de combustíveis fósseis permaneceu praticamente inalterada em pouco mais de 80%”, disse Simon Virley, Vice-Presidente e Chefe de Energia e Recursos Naturais da KPMG no Reino Unido.
“Com as emissões de CO2 também atingindo níveis recordes, é hora de redobrarmos os nossos esforços na redução das emissões de CO2 e fornecer financiamento e capacidade para construir mais fontes de energia de baixo carbono no Sul Global, onde a procura está crescendo em um ritmo rápido.”
Apesar das notícias negativas, ainda há motivos para estarmos otimistas. A AIE prevê que haverá dois trilhões de dólares em investimento em tecnologias e infraestrutura ligadas à energia limpa, o que é quase o dobro do montante destinado aos combustíveis fósseis que aquecem o planeta.
Em abril deste ano, o G7 chegou a um acordo para banir o carvão até a primeira metade da década de 2030, um passo importante para a transição energética, saiba mais em nosso artigo.
Acesso à Energia Renovável em Casa
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