Energia limpa na China faz a participacao do carvao desabar

A China registra um marco na geração de eletricidade, com a energia limpa atingindo um recorde de 44% em maio de 2024. Descubra como a participação do carvão despencou para níveis históricos e quais são os impactos na matriz energética e nas emissões de CO2.



A energia limpa gerou um valor recorde de 44% da eletricidade chinesa em maio de 2024, derrubando a participação do carvão para um mínimo histórico de 53%, tudo isso em meio a um crescimento contínuo da procura por energia. Baseada em números oficiais do governo chinês, uma nova análise do think tank Carbon Brief revela o nível da queda na participação do carvão na matriz elétrica chinesa. Em comparação com maio de 2023, o carvão perdeu sete pontos percentuais, quando representava 60% da geração na China.

Outros insights importantes revelados pela análise incluem:

  • Limitações dos Dados: Os dados mensais do Departamento Nacional de Estatística chinês (DNE) sobre a geração por tecnologia são limitados em relação à energia eólica e solar. Tais dados, por exemplo, excluem a energia solar “distribuída” nos telhados e das usinas solares menores. Estima-se que ele consegue captar apenas cerca de metade da geração solar.

  • Distorções de Dados: Esta distorção torna-se clara quando se compara o total do NBS para a produção mensal de eletricidade de 718 terawatts-hora (TWh) com a procura mensal de eletricidade reportada de 775 TWh, que foi reportado pela Administração Nacional de Energia (NEA). Na realidade, a produção de eletricidade tem que ser superior à procura devido às perdas nas centrais elétricas e na rede de transmissão.

  • Desafios da Rede: Relatos na mídia especularam que as adições recordes de capacidade renovável teriam enfrentado restrições na rede em maio, mas os novos dados mostram que este não é o caso.

  • Crescimento da Demanda: A demanda de eletricidade na China em maio de 2024 cresceu 49 TWh (7,2%) em relação a maio do ano anterior.

  • Aumento da Geração Limpa: Ao mesmo tempo, a geração a partir de fontes de energia limpa cresceu um recorde de 78 TWh, incluindo um aumento recorde de energia solar de 41 TWh (78%), uma recuperação da energia hídrica para a de 34 TWh (39%) e um aumento modesto da eólica de 4 TWh (5%).

  • Redução dos Combustíveis Fósseis: Com a energia renovável se expandindo mais do que o aumento da demanda por eletricidade, a geração a partir de combustíveis fósseis foi forçada a recuar, registrando a maior queda mensal desde a pandemia de Covid-19. A produção de gás caiu 4 TWh (16%) e a do carvão 16 TWh (4%).

  • Impacto nas Emissões de CO2: A queda na produção a partir de combustíveis fósseis aponta para uma queda de 3,6% nas emissões de CO2 do setor elétrico, que é responsável por cerca de 40% do total de emissões de gases com efeito de estufa da China e tem sido a fonte dominante de crescimento das emissões nos últimos anos.

Tais resultados mostram uma continuação das tendências recentes, que ajudaram a reverter as emissões de dióxido de carbono (CO2) da China provenientes de combustíveis fósseis em março de 2024. Se o atual ritmo da implantação da energia solar e eólica continuar, é provável que a produção de CO2 da China continue a diminuir, tornando 2023 o ano de pico das emissões do país.



Incompatibilidade mensal

Todos os meses, o DNE publica dados sobre a geração de eletricidade na China, separados por modal tecnológico (solar, nuclear, termoelétrico e etc). Os números de maio de 2024 foram divulgados em meados de junho.

No entanto, estes dados são cada vez mais limitados porque excluem, entre outras coisas, produções elétricas solares de menor porte, como os que estão nos telhados de casas e empresas. A análise da Carbon Brief mostra que isso não contabiliza cerca de metade da eletricidade gerada pela energia solar no país.

O fato de os dados do DNE sobre a produção de energia estarem incompletos é óbvio quando se olha para os números do consumo: a NEA reportou um consumo de eletricidade em maio de 775 TWh, enquanto o DNE reportou uma produção de apenas 718 TWh. Na realidade, a produção deve ser significativamente maior do que o consumo devido às perdas nas centrais elétricas e na transmissão.

A aparentemente pequena quantidade de geração de energia solar e eólica relatada pelo DNE causou ruído e levou a alegações de que o desempenho da energia eólica e solar na China deixa a desejar.



Resultados recordes

A combinação dos vários números mostra que houve um aumento recorde de 78% na produção solar em maio de 2024 em relação ao mesmo mês em 2023.

A capacidade solar instalada aumentou 52% para 691 gigawatts (GW). Isto proporcionou o maior aumento na geração de eletricidade da China para qualquer modal, com a geração solar aumentando 41 TWh, de 53 TWh em maio de 2023 para 94 TWh em maio de 2024. Isto é uma excelente notícia para o consumidor chinês, pois, haja vista que a eletricidade fotovoltaica é mais barata, isso significa desconto na conta de luz.

O segundo maior aumento veio do modal hidrelétrico. Apesar da capacidade de geração ter aumentado apenas 1%, a participação do modal saltou de 31% para 41%, à medida que o setor se recuperou da seca recorde entre 2022-23. Isto levou a um aumento de 39% ou 34 TWh na geração de energia, que atingiu 115 TWh.

A energia eólica aumentou sua capacidade em 21%, porém sua utilização caiu. Isto provavelmente ocorreu devido às variações mensais nas condições do vento. Como resultado, a geração de energia cresceu modestos 5%, ou 4 TWh, atingindo 83 TWh. A produção dos modais nuclear e de biomassa também teve pequenos aumentos na capacidade, mas a utilização de usinas nucleares caiu de 87% para 85%.

No total, a geração de energia limpa cresceu 78 TWh, conforme mostra a figura abaixo. Isto foi mais do que suficiente para superar o aumento de 49 TWh na demanda.

Como resultado, a produção de eletricidade via gás natural despencou 16%, apesar de um aumento de 9% na capacidade, provocando uma queda acentuada de 24% na utilização. A capacidade de geração a carvão aumentou 3%, enquanto a geração de energia a partir do carvão caiu 3,7%, resultando numa queda média da utilização do modal em 7%. A queda da procura poderá reduzir o investimento em novas centrais termelétricas de carvão, que tem aumentado nos últimos dois anos.

Após estas mudanças na geração, a matriz de produção de eletricidade da China afastou-se significativamente dos combustíveis fósseis em maio de 2024. A percentagem da produção via carvão caiu para 53%, abaixo dos 60% no mesmo período do ano passado e foi o percentual mais baixo já registrado, como mostrado na figura abaixo.

Enquanto isso, a energia solar subiu para 12%, acima dos 7% do ano anterior - maior já registrado. O restante foi composto por energia eólica (11%), hidrelétrica (15%), nuclear (5%), gás (3%) e biomassa (2%). Isto fez com que o percentual global de energia descarbonizada atingisse um recorde de 44%.

Como pode ser visto nas imagens, a energia solar e eólica estão ganhando participação no mix energético chinês muito rapidamente. Em maio de 2016, representavam apenas 7% do total.

Ao que tudo indica esses números devem seguir na mesma trajetória. Somente em maio de 2024, houve uma adição de energia solar, eólica e nuclear em 19 GW, 3 GW e 1,2 GW, respectivamente.

O rápido crescimento do modal fotovoltaico mostra que o boom da capacidade solar está proporcionando novos fornecimentos de eletricidade numa escala suficiente para cobrir grande parte do crescimento da demanda na China. Para a Carbon Brief, isto reforça a visão de que as emissões de CO2 da China estão num período de declínio estrutural.

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