Artico: o principal projeto energetico de Vladimir Putin luta para atrair clientes
O projeto de gás Arctic LNG 2 da Rússia enfrenta desafios para atrair clientes devido às sanções dos EUA. As restrições afetam a exportação de gás natural liquefeito, forçando o país a armazenar o produto.
Imagens de satélite e dados de rastreamento de navios sugerem que as sanções dos EUA estão dissuadindo potenciais compradores do principal projeto de gás natural liquefeito (GNL) de Vladimir Putin no Ártico. A Rússia foi forçada a começar a armazenar gás extraído do complexo Arctic LNG 2, mostrando os efeitos das sanções ocidentais sobre o mercado.
Dados de rastreamento mostram que três embarcações que transportam GNL do campo Arctic LNG 2 iniciaram operações de carregamento no mês passado. Um dos navios, o Everest Energy, descarregou na Saam FSU, uma unidade de armazenamento flutuante ancorada na baía de Murmansk, ao norte da Rússia. Desde então, ele retornou ao Arctic LNG 2, enquanto os outros dois navios também permanecem em águas russas ou europeias sem entregar suas cargas a compradores.
A transferência para um local de armazenamento "destaca os desafios que a Rússia enfrenta para encontrar compradores para seu GNL sancionado", segundo analistas da Kpler, uma plataforma de dados e análises.
Ambições do Arctic LNG 2 e impacto das sanções
O projeto Arctic LNG 2 foi idealizado para ser um marco do Kremlin, com a previsão de que sua produção representasse um quinto da meta russa de 100 milhões de toneladas de GNL até 2030. Isso representaria mais de três vezes o volume atual de exportação do país. Entretanto, as sanções, implementadas em 2023 pelos EUA em resposta à invasão da Ucrânia, têm dificultado o sucesso do projeto.
A Rússia tentou contornar as sanções reunindo uma "frota obscura" de navios de GNL, mas os EUA rapidamente reagiram, sancionando as embarcações e as empresas de gestão em agosto. Analistas disseram ao Financial Times conforme este artigo que isso provavelmente afastou os potenciais compradores.
O primeiro navio a receber combustível do Arctic LNG 2, o Pioneer, transferiu seu GNL para um navio não-sancionado no Mediterrâneo, mas ambos os navios não realizaram novas movimentações desde então. Já o Asya Energy, outra embarcação carregada com GNL do Ártico, inicialmente navegou pelo Mar da Noruega, mas agora está de volta às águas russas, próximo à unidade Saam FSU, sem ter descarregado a carga.
Uso de técnicas de disfarce e desafios futuros
Esses navios adotaram técnicas de "spoofing", onde os transponders de identificação eletrônica transmitem localizações falsas. Por exemplo, os transponders do Pioneer indicaram que o navio estava ao norte da Noruega, quando, na realidade, estava carregando GNL no Ártico. A União Europeia já alertou contra o uso dessas "práticas de transporte marítimo irregulares", citando-as como mais um motivo para impor sanções.
Além disso, Pioneer, Asya Energy e Everest Energy tiveram seus registros suspensos pelas autoridades de Palau, onde estavam sinalizados, após as sanções dos EUA. Kjell Eikland, diretor da consultoria Eikland Energy, afirmou que os interesses dos compradores "desapareceram" com a imposição das sanções.
Mercado de exportação de GNL russo e o papel da China e Índia
As exportações de GNL são vitais para a economia russa, embora em escala menor que as exportações via gasoduto para a Europa, que praticamente cessaram após a invasão da Ucrânia em 2022. Especialistas acreditam que as sanções dos EUA tornarão improvável a importação de GNL russo por países europeus ou aliados ocidentais, mas é possível que outros países assumam o risco.
Segundo Francis Bond, especialista em sanções do escritório Macfarlanes, "alguém estará disposto a assumir o risco e importar esses volumes". Os compradores mais prováveis são aqueles fora da influência dos EUA, como Índia e China, que se opõem às sanções extraterritoriais. Esses países já se tornaram compradores importantes de petróleo russo, após o teto de preço imposto pelo Ocidente.
Contudo, um relatório de um grande banco russo sugere que Moscou enfrentará os mesmos desafios com o GNL que já enfrenta com o petróleo: compradores exigem grandes descontos para compensar os riscos das sanções. Sergey Vakulenko, do Carnegie Endowment for International Peace, afirmou que será uma "batalha difícil" para a Novatek, operadora do Arctic LNG 2, mas que a empresa já demonstrou ser hábil em encontrar soluções.
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